sexta-feira, 22 de junho de 2012

CONTOS "INTERMINADOS" - O DIÁRIO DE IZZI: O Tratado de Arquimedes








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CONTOS "INTERMINADOS"
O DIÁRIO DE IZZI
22/06/2012
POR WOLFGANG FÊNIX
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Olá a todos. Hoje irei postar o primeiro fragmento dos quatro que compõe um conto incompleto - que talvez um dia eu complete/ talvez não.
O Conto chama-se "O DIÁRIO DE IZZI". E a ideia original era que esta história fosse a base para um jogo de RPG Educativo.
Porque eu o estou postando já que ele está incompleto? Você talvez pergunte!
A resposta é simples; é apenas um exercício literário. E convido a todos que gostam de escrever a participarem de Ratos Letrados com suas crônicas, devaneios, poesias, desenhos, etc.
A Arte é um Esporte, e como um esporte ela precisa ser praticada, mesmo que ela não tenha uma finalidade - como a crônica que vou postar hoje - ou um começo, meio e fim.
A Arte é uma Ação. Então vamos nos mexer...

---Esta história foi elaborada por Wolfgang Fênix e Lucy (integrante do Canal Let's Play).---





PARTE 1 - O TRATADO DE ARQUIMEDES

A Vila do Mirante fica em uma extensão de terras com aproximadamente 120 a 130 km de diâmetro de Oeste a Leste e 130 a 140 km de diâmetro de Sul a Norte. Esta terra é envolta por uma formação de montanhas e colinas, que formam uma grande muralha natural ao redor dela, conhecida pelos habitantes como Leviathan. Pode-se dizer que este lugar é um grande vale com terras planas e férteis, permitindo o cultivo de muitas variedades de plantas, esta região é chamada de Vale. No centro de Vale há uma pequena colina, a única que se ergue dentro do “grande vale”, é nesta colina que se ergueram os primeiros alicerces da Vila do Mirante, um povoado com 4 a 5 km de diâmetro. Afora a própria vila, existem pequenos povoados e complexos fazendários espalhados em Vale...

O Astro Rei já desaparecia no horizonte oeste quando as crianças da Vila do Mirante se reuniam na praça principal para ouvir o velho Malaquias contar as histórias sobre a criação do mundo, este é um processo importante no aprendizado das crianças da Vila do Mirante e de toda Vale; os mais velhos frequentemente ajudavam a educar os mais novos contanto histórias sobre a tradição e a cultura da Vila do Mirante e com isso preparava-os para os costumes e hábitos que deveriam ser mantidos na vida adulta.
As crianças costumavam comprar guloseimas na Padaria das Delicias, e as comiam enquanto esperavam o inicio das histórias, que ocorria quando a noite já ia alta no céu e os últimos raios do Astro Rei já não passavam de lembranças do dia que se fora.
Malaquias sempre vinha acompanhado por uma ou duas crianças mais velhas que se revezavam para apanhar lenha durante o dia para levar ao monumento no centro da praça, o monumento; chamado de Circulo-de-fogo ou o Sol-da-noite trata-se de um recipiente de bronze no qual a lenha era posta para queimar, este recipiente era sustentado por um círculo de pedra no qual uma rosa dos ventos fora talhada e pintada com cores vivas. O monumento lembrava um emblema usado em bússolas; uma rosa dos ventos com o sol desenhado no meio, neste caso o sol era simbolizado pelas chamas no recipiente de bronze.
Após preparar as chamas, todos se sentaram ao redor do Sol-da-noite, esperando com ansiedade as histórias de Malaquias.
---Vamos Pietro! Se aquiete logo aí garoto, ou o jogo no “Sol” para fazer esse seu fogo ter alguma utilidade... – Quando Malaquias falava era difícil não levar a sério, suas expressões sérias e carrancudas eram realçadas pelas muitas rugas que adquiriam um ar sinistro à luz das chamas. Suas grossas sobrancelhas brancas quase escondiam os minúsculos olhos brilhantes, que apesar da idade ainda ardiam com intensidade feroz. Pietro tratou de se “aquietar” diante da ameaça daquele velho que ele temia e admirava ao mesmo tempo. Era um homem que não precisava se esforçar muito para conseguir respeito e atenção. Mesmo os adultos não o encaravam com facilidade quando o encontravam por aí.
Seu discurso era inflamado, feroz e empolgante. Ele gesticulava e movia o cajado quando contava suas histórias quase como se estivesse dentro delas, revivendo-as.
---Saibam vocês jovens e velhos (começou Malquias quase sussurrando à luz do Sol-da-noite), que mesmo os mais velhos aqui, inclusive eu, não passamos de meras crianças perto de Wana, a Mãe desta terra. Wana nos deu Vale, a terra onde moramos!
---Wana nos deu as plantas e os animais, nos deu o Tempo antes mesmo de nos tornarmos gente civilizada, há 11.444 anos, nós já nos parecíamos com humanos, mas vivíamos como animais. Então há 444 anos Wana nos deu a civilização e assim nasceu a Vila do Mirante. Esta Vila meus caros é o pequeno Reinado dos humanos na terra de Vale (neste ponto sua voz já havia se erguido e soava poderosa apesar da idade), que foi construída na única colina da qual nós podemos nos erguer como em um trono e olhar plantas e animais de cima, pois estes são os presentes que nos foram dados por Wana, nossa Mãe! É daqui! Do Mirante! Que podemos olhar a extensão de nossos domínios como os filhos da terra de Vale, a criação de Wana!
 Malaquias parou, olhando de cabeça erguida os vários rostinhos paralisados que o olhavam quase hipnotizados. Ele andou calmamente em torno das chamas, encarando cada um deles. Quando parou, bateu com força o seu cajado no chão e prosseguiu...
---Mas Wana não permitiu ao ser humano ir além de Vale. Nunca se esqueçam disso! Vale é o domino dos Humanos e lá fora o dos Deuses! Foi a muito tempo, antes mesmo da fundação da Vila do Mirante que nós humanos, ousamos desrespeitar nossa Mãe, e tentamos ir para além das terras de Vale. Enfurecida com nossa desobediência, Wana pariu o nosso maior carrasco, o Leviathan, a grande besta que destruiu os humanos que ousaram pisar na terra dos Deuses. Hoje podemos ver os espinhos de suas costas, as colinas e os picos que repousam no horizonte são os ossos pontiagudos da besta que dorme ao redor de Vale. O Leviathan é o monstro que forma um circulo gigantesco ao redor de Vale mordendo a própria cauda, assim ele garante que nenhum de nós se atrevera a atravessar as fronteiras de Vale.
Muitos “ohh” e “uau” eram ouvidos na platéia de jovens, os pequenos tinham expressões de entusiasmo diante das visões que a imaginação infante era capaz de formar. Os adultos presentes na praça que paravam para também ouvir as já conhecidas histórias de Malaquias prestavam atenção, o semblante sério, quase meditativo, para eles as fantasias já haviam assumido em suas mentes há muito o aspecto de contos horrendos, e nada do vislumbre infantil permanecia naquelas pessoas.
---Mas não pensem que nós humanos escapamos da destruição tão facilmente. Para que Wana acalmasse o Leviathan foi preciso fazer um acordo. Foi Arquimedes; que liderou os sobreviventes de volta a terra de Vale enquanto o Leviathan os perseguia até aqui. Arquimedes rogou para que Wana o ouvisse... (Neste ponto Malaquias baixou a cabeça e suspirou, prosseguindo quase em murmúrios)...
Ó Wana, nossa Mãe! Desculpe nossa curiosidade e imprudência! Não foi para ofendê-la que ousamos ir a terra dos Deuses! Deixe que nós que sobrevivemos a ira do Leviathan possamos pagar nossos crimes com vida aqui na terra que você criou e nos ofertou, somos gratos por nos ter dado Vale e não deixaremos jamais nossa terra! Juro que eu: Arquimedes! Irei fazer valer a promessa que faço em nome da raça Humana!”
Malaquias sussurrava enquanto entoava as palavras que outrora foram proferidas por Arquimedes, mas depois levantou a voz num trovão ao dizer energicamente a resposta de Wana ao apelo Humano:
“Não é desdenhando Vale e procurando se igualar aos Deuses que vocês mostrarão gratidão para com sua Mãe, que arrancou a terra de Vale de suas entranhas para que vocês a tivessem como um berço!”
“Se querem minha piedade vocês a terão! Mas já que vocês deixaram o berço para tornarem-se adultos é como tal que eu irei tratá-los.”
“A partir de hoje Vale não será sua casa gratuitamente, vocês terão de trabalhar a terra para pagar por ela!”
“Deverão trabalhar a terra para encontrar a riqueza que esta pode dar e com a qual pagarão para manter o Leviathan acorrentado a borda do berço; incapaz de invadi-lo para engolir todos vocês com a Noite Eterna!”
“Uma vez ao ano me farão um tributo com o esforço de vocês! E uma vez ao ano, as presas do Leviathan escorreram de sua boca para a terra de Vale na forma de Lobos e Cavaleiros monstruosos, eles serão a certeza de que o tributo será pago! Eles serão a lembrança do dia em que o Leviathan amedrontou toda a humanidade com o castigo da Noite Eterna. E cada homem, cada mulher, cada criança ou ancião, deverão pagar sua parte no tributo! Aqueles que não pagarem por Vale serão levados pelas “Presas do Leviathan” para longe de Vale e cairão na Escuridão!”
“E no dia do ano em que o tributo for pago, corram paras suas casas e tranquem as suas portas e janelas, pois os desabrigados serão levados para saciar a Sede de Sangue com a qual o Leviathan foi forjado!”
“Aqueles que quiserem se rebelar e tentar fugir novamente para a terra dos Deuses; serão destruídos, pois o Leviathan estará sempre lá, como uma cicatriz na terra que não pode ser apagada!”
“Você Arquimedes, o homem que me pede clemência e que me promete a obediência humana, levará o fardo da promessa que me faz por toda a Eternidade através do laço de sangue: Você hoje irá liderar a raça humana fazendo-os trabalhar e pagar o tributo a mim devido, amanhã sua prole o fará, e mais tarde a prole de tua prole, e assim será enquanto o Leviathan guardar as fronteiras...”.
Malaquias parou, andando em círculos novamente, parou olhando o fogo, esquentando os velhos ossos e ouvindo os cochichos das crianças. Aquela história estava nos registros históricos da cidade que era dividido em vários capítulos, na verdade a história contada por Malaquias era uma síntese de um capítulo inteiro chamado O Tratado de Arquimedes.
Na verdade o Tratado de Arquimedes, que fala de Arquimedes; conhecido como o “Líder Primogênito” da raça humana, era sempre bem enfatizado, pois esta história explica aspectos importantes da vida na Vila: O dia da Colheita e o dia do Tributo são os pontos fundamentais em todo o ano; o primeiro marca um momento de alegria e o segundo é um dia de medo e desespero, onde as promessas lendárias feitas pela deusa Wana no Tratado são cumpridas e toda a Vila vive momentos de medo e tensão.
---Espero que vocês não esqueçam nenhuma das palavras ditas aqui hoje, esta é a memória viva de tempos que nunca voltarão, e vocês devem compreender a importância e a seriedade que o dia do Tributo tem na Vila do Mirante e em toda a terra de Vale! Devem compreender por que a legião “Presas do Leviathan” deve ser temida como se teme a morte pois as “Presas do Leviathan” são a própria morte, que o Leviathan traz para castigar os que não cumprem o tratado de Arquimedes...
Malaquias parou ao ver uma mãozinha se levantar no meio da multidão.
---Quem é você garoto?
---Meu nome é... Izzi... – Respondeu o pequeno garoto, com a voz quase falhando ao encarar aquele velho amedrontador.
---Então Izzi, o que quer? – Indagou Malaquias carrancudo, não gostava de interrupções.
Izzi hesitou, mas ao lembrar das conversas com o avô ele tomou coragem...
---E se nós fugíssemos das “Presas do Leviathan” ou se nós os enfrentáss...
Malaquias não deixou o garoto terminar, rompeu em gargalhadas, sem nunca perder o semblante feroz. Então falou em tom provocativo:
---Não se pode fugir deles garoto! Não são como você ou como eu, nem como seu pai ou qualquer pessoa aqui! Eles são monstros! Demônios! São implacáveis e cruéis! Você não pode fugir, não pode se esconder ou enfrentá-los. Sua única saída é se trancar dentro de casa e se enfiar de baixo da sua cama e rezar pela misericórdia de nossa Mãe Wana. Nada mais resolverá!
O pequeno Izzi se encolheu diante da voz daquele velho que subitamente falava com uma expressão maníaca, parecendo gostar da impotência dos Humanos perante criaturas implacáveis. Mas algo ascendeu no peito de Izzi, e foi como se ele não tivesse percebido o que fez: em pé, diante de Malaquias ele falou com expressão bravia e tom mais desafiador que uma criança de 8 anos poderia fazer naquela situação.
---Mas você já viu algum deles para saber? Aposto que não! Se eu visse um ia querer ter certeza se são tão impracáveis assim! Quem aqui já viu algum “Presa de Leviathan”?
Toda a multidão paralisada diante das inocentes palavras do pequeno Izzi pareceu acordar ao ver o velho Malaquias acertando uma cajadada na cabeça do rebelde, então todos começaram a falar ao mesmo tempo, mas sem ousar intervir para ajudar o menino. Na verdade todos temiam mais o que a criança havia dito do que a ferocidade de Malaquias, e por isso as pessoas não estavam dispostos a ajudar alguém que pudesse enfurecer o Leviathan.
Malaquias ergueu Izzi no ar como se este fosse um monte de palha e bradou como um cão raivoso, segurando-0 como uma pinça capaz de estraçalhá-lo com o aperto poderoso.
---Você ousa desafiar a morte garoto, irei surrá-lo em público para que aprenda a se portar com mais humildade. Senhoras e senhores, eis aqui um exemplo do tipo de gente que no passado nos levou a enfurecer Wana e atrair o maior de todos os monstros; o Levithan! É graças a pessoas assim que nossa vila até hoje corre o risco de ser dizimada se não pagarmos devidamente o Tributo que devemos a Wana. Mas você vai aprender! E vai me agradecer, pois esta surra salvará a sua vida livrando-o da loucura! Moleque tolo!!
Então Malaquias jogou o garoto no chão e ergueu o cajado novamente para acertá-lo...
CONTINUA

Um comentário:

Lucy disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaah não acredito q vc parou a historia nesta parte...sacanagem...bem no momento mais legal vc me poem um "to be continued"... Dx